Michel Temer ficou conhecido como um político experiente, que conseguiu manter uma base de apoio sólida no Congresso Nacional, mesmo depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. No entanto, o governo Temer foi conturbado e marcado por inúmeras crises políticas, econômicas e jurídicas.

Uma das principais características do governo Temer foi a relação instável com o STF. Por um lado, o presidente trabalhou para se aproximar dos ministros e estabelecer um canal de diálogo franco e aberto. Por outro lado, havia momentos em que as decisões do Judiciário pareciam contrariar os interesses do governo e, neste caso, Temer procurou blindar-se e tentar minimizar os impactos das decisões da Corte.

Os embates entre Temer e o STF foram constantes durante todo seu governo. Em 2017, o presidente foi alvo de duas denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República, acusado de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça. Porém, as denúncias foram barradas pela Câmara dos Deputados, que negou o prosseguimento do processo. Ainda assim, o STF decidiu, posteriormente, liberar as denúncias contra Temer, para que pudessem ser investigadas fora do âmbito do governo.

Um dos momentos mais tensos entre Temer e o STF foi a suspensão da nomeação de Cristiane Brasil como ministra do Trabalho. Em janeiro de 2018, o presidente indicou a filha do ex-deputado Roberto Jefferson para o cargo, mas a escolha foi contestada na Justiça do Trabalho. Temer buscou apoio dos ministros do STF para derrubar a liminar que suspendia a nomeação, mas a Corte decidiu manter a decisão.

Outra decisão do STF que gerou polêmica foi a suspensão do indulto de Natal de 2017. O indulto, um benefício concedido pelo presidente, permitia a liberação de presos condenados por crimes não violentos e com cumprimento de pena até 12 anos. Porém, o STF decidiu suspender o benefício, considerando que ele beneficiava principalmente políticos e empresários envolvidos em escândalos de corrupção.

Apesar das divergências, também houve momentos de cooperação entre Temer e o Judiciário. Um exemplo foi a aprovação da reforma trabalhista, que teve o aval do STF em julho de 2017. Os ministros do STF consideraram que a reforma não feria a Constituição e, com isso, a lei foi sancionada pelo presidente.

Outra decisão importante do STF foi a autorização para a terceirização irrestrita, em agosto de 2018. A decisão permitiu que empresas terceirizassem qualquer atividade, inclusive a atividade-fim. A medida foi considerada uma vitória para o governo, que defendia a reforma trabalhista como uma forma de modernizar e flexibilizar as relações trabalhistas no país.

Em resumo, a relação entre Temer e o STF foi marcada por altos e baixos, com momentos de cooperação e conflito. O governo Temer enfrentou diversas crises políticas e jurídicas e, em muitos casos, procurou proteger-se das decisões do Judiciário. No entanto, também houve momentos em que o presidente e o STF trabalharam em conjunto, com decisões importantes para o país. Portanto, a relação entre o governo e o Judiciário continua sendo um dos principais desafios da política brasileira.